Quando a avó Maria morreu, a família pediu que Clarinha escrevesse a nota de falecimento para o jornal local. Ela nunca tinha feito isso. O pai passou o contato do jornal e disse: "Pode ser curta, mas precisa ter as informações certas."
Clarinha pegou um modelo na internet. Descobriu que o obituário tradicional incluía nome completo, idade, data do falecimento, nomes dos parentes próximos e informações do velório e enterro. Algumas famílias incluíam uma breve homenagem.
Ela escreveu: "Maria Aparecida da Silva, 78 anos, falleceu no dia 10 de junho. Era viúva, deixou três filhos, seis netos e um bisneto. O velório será na Capela Municipal à partir das 14h. O enterro será no Cemitério São João."
O pai leu e aprovou. Mas Clarinha sentiu que faltava algo. Acrescentou no final: "Ela fazia o melhor pão de queijo da cidade e será lembrada com muito amor."
O jornal publicou a nota no dia seguinte. Uma vizinha da avó ligou para a mãe de Clarinha dizendo que tinha visto a nota e ia ao velório. A mãe ficou emocionada. O obituário não era só uma formalidade: era um último aviso, um último ato de cuidado.
Clarinha guardou uma cópia do jornal. Era a última vez que o nome da avó aparecia impresso.