O pai de Carlos, avô de Pedro, faleceu depois de uma doença prolongada. Pedro tinha seis anos e nunca tinha passado pela perda de alguém próximo. Carlos sentou com ele no quarto, sem saber por onde começar.
— Filho, o vovô morreu — Carlos disse, olhando nos olhos de Pedro.
— Morreu como?
Carlos explicou que o coração do vovô tinha parado, que ele não estava mais sentindo dor, que o corpo dele não funcionava mais. Usou palavras simples, sem rodeios. Não disse que o avô "foi dormir" nem que "virou estrelinha".
Pedro pensou um pouco e perguntou: — Ele vai voltar?
— Não, filho. Quando alguém morre, não volta.
Pedro chorou. Carlos segurou ele no colo e deixou ele chorar. Não tentou distrair com brinquedo nem mudar de assunto. Ficou em silêncio com o filho no colo até ele se acalmar.
No dia do velório, Carlos perguntou se Pedro queria ver o avô no caixão. Explicou como era. Pedro disse que queria. Carlos levou ele pela mão. Pedro olhou o avô, quieto, e disse: "Tchau, vovô." Depois voltou a brincar com os primos no salão.
Carlos entendeu que as crianças processam o luto em blocos. Uma hora choram, na outra brincam. E que o mais importante era não esconder a verdade nem fingir que estava tudo bem.