Beto nunca tinha ido a um velório. Quando o pai do colega de trabalho morreu, ele se sentiu perdido. Não sabia o que vestir, o que dizer, quanto tempo ficar. Clarinha percebeu a ansiedade dele.
— Você vai comigo? — ele pediu.
— Claro. É simples. Você chega, cumprimenta a família, presta solidariedade. Não precisa falar muito. Só estar presente.
Beto vestiu uma camisa social escura e calça preta. Chegou no velório e sentiu um nó na garganta. O salão estava cheio de coroas de flores. O pai do colega estava num caixão, parecia que estava dormindo. Aquilo apertou o peito dele.
Ele cumprimentou o colega. Deu um abraço apertado. Disse apenas: "Meus pêsames, cara." O colega agradeceu sem soltar o abraço. Beto sentiu que não precisava de mais palavras.
Ficou uns vinte minutos. Clarinha ficou do lado dele o tempo todo. Na saída, ele respirou fundo. O ar da rua pareceu mais leve.
— Fiz certo? — perguntou.
— Fez. Você foi respeitoso, não forçou conversa, não desconversou. Fez o que tinha que fazer.
Beto entrou no carro aliviado. A primeira vez sempre assustava, mas ele tinha sobrevivido.