O Natal se aproximava e Clarinha estava ansiosa. Era o primeiro Natal sem a avó Maria, que sempre fazia a ceia na casa dela. A família decidiu se reunir na casa da mãe de Clarinha, mas ninguém tinha ânimo.
Beto percebeu que Clarinha estava mais irritada que o normal. Discutiu com ele por causa do enfeite da árvore. Depois chorou no quarto.
— Não quero fingir que está tudo bem — ela disse.
— Então não finja.
Beto sugeriu que eles fizessem algo diferente. Em vez de repetir a ceia tradicional e sentir falta da avó, podiam criar um novo ritual. Clarinha gostou da ideia.
Eles decidiram que cada pessoa traria uma comida que lembrasse a avó. A mãe fez o frango assado igual ao dela. Clarinha fez o pão de queijo. O irmão trouxe a sobremesa de limão que a avó adorava.
No jantar, sentaram em volta da mesa. A mãe de Clarinha levantou o copo. — Para a Maria, que nos ensinou que comida é amor.
Todos riram e choraram juntos. Clarinha sentiu a falta apertar, mas também sentiu uma ponta de conforto. A avó não estava ali, mas estava. No pão de queijo, no frango, nas histórias que contaram depois do jantar.
Beto segurou a mão dela por debaixo da mesa. Não disse nada. Não precisava.