Luísa ajudou a amiga Júlia a organizar o funeral do marido. Ficou chocada com os custos. A funerária cobrou mais de cinco mil reais pelo pacote básico. O jazigo no cemitério custou mais três mil. As flores, a lápide, a certidão de óbito, tudo era extra.
— Se eu não tivesse um dinheiro guardado, estaria ferrada — Júlia disse.
Luísa começou a pesquisar. Descobriu que os planos funerários pré-pagos eram uma opção, mas precisavam ser analisados com cuidado. Muitos tinham cláusulas abusivas, carência e limitações. O plano de assistência familiar do sindicato era mais confiável.
Ela também aprendeu que o funeral podia sair mais barato se a família fizesse algumas escolhas. A cremação era mais econômica que o enterro. O caixão mais simples não era pior. As coroas de flores podiam ser substituídas por doações para instituições de caridade.
Luísa conversou com Beto e Clarinha sobre o assunto. — A gente precisa conversar sobre isso enquanto todo mundo está vivo.
— É mórbido — Clarinha respondeu.
— É responsável.
Eles decidiram pesquisar planos e separar uma reserva de emergência para despesas funerárias. Não era fácil falar de morte, mas era pior deixar a conta para quem fica. Luísa aprendeu que planejar não era atrair a morte. Era cuidar de quem vive.