O que dizer (e o que não dizer) em uma mensagem de condolências?

Dona Marta

Dona Marta perdeu o marido há dois anos. Desde então, ouviu todo tipo de frase de conforto. Algumas ajudaram. Outras doeram mais que o silêncio.

Quando a vizinha perdeu a mãe, Dona Marta quis escrever uma mensagem. Lembrou do que tinha feito diferença para ela. As frases simples eram as melhores. "Sinto muito pela sua perda." "Estou pensando em você." "Não precisa responder."

Ela lembrou do que mais machucou. "Ele está em um lugar melhor" — como se a dor dela não importasse. "Deus tinha um plano" — como se a perda fosse justificável. "Você é forte, vai superar" — como se sentir fraco fosse errado. "Pelo menos ele não sofreu" — como se o sofrimento dela não contasse.

Dona Marta escreveu para a vizinha: "Sei que não há palavras que consolem agora. Só quero que você saiba que estou aqui. Quando quiser conversar, é só chamar. Se não quiser conversar, também tudo bem."

A vizinha respondeu no dia seguinte: "Obrigada. Seu bilhete foi o único que não me fez sentir pior."

Dona Marta entendeu que condolências não eram sobre encontrar a frase perfeita. Eram sobre reconhecer a dor do outro sem tentar consertar. Às vezes o melhor conforto era um abraço calado e a humildade de admitir: "Não sei o que dizer, mas estou aqui."