Como falar sobre suicídio com o terapeuta?

Luísa

Ela passou três sessões inteiras rodeando o assunto. Falava de cansaço, de falta de sentido, de uma tristeza que não passava. Mas a palavra em si, aquela que começava com S, nunca saía. Ela tinha medo de falar e ele trancar em algum lugar. Medo de falar e ele achar que ela era fraca demais. Medo de falar e tornar real o que até então era só um pensamento abstrato. Toda vez que chegava perto, ela mudava de assunto.

Até que numa tarde de quinta, depois de uma semana particularmente pesada, o Carlos parou a sessão. Ele disse: "Luísa, eu percebi que você vem evitando algo. Quero que você saiba que aqui é um lugar seguro pra qualquer coisa que você precisar dizer. Inclusive o que você acha que não pode ser dito." Ela começou a chorar. E finalmente soltou: "Carlos, eu pensei em me matar."

O mundo não acabou. Ele não trancou. Ele não julgou. Ele agradeceu pela confiança e perguntou, com a mesma calma de sempre, há quanto tempo ela carregava aquilo sozinha. A partir dali, eles conseguiram trabalhar o que estava por trás daquele pensamento. A terapia virou outra coisa. Porque ela parou de lutar contra o que sentia e começou a tratar.