Como a terapia ajuda no luto?

Dona Marta

Dona Marta perdeu o marido há seis meses, mas a dor parecia de ontem. Ela acordava e estendia a mão para o lado vazio da cama. O café era tomado em silêncio. A casa, que antes era cheia de conversas, agora ecoava.

— A senhora não precisa passar por isso sozinha — disse a médica do posto. — Vou encaminhá-la para um psicólogo especializado em luto.

Dona Marta resistiu. Achava que terapia era coisa de gente fraca, que o tempo curava tudo. Mas as noites insones e as crises de choro a convenceram a tentar.

O psicólogo explicou que o luto não tem prazo. Que cada um vive à sua maneira. Que não existe uma fórmula para sofrer. Dona Marta chorou as primeiras sessões inteiras sem conseguir falar. O psicólogo não apressou, não consolou com frases prontas.

— O que mais dói? — perguntou ele um dia.

— A ausência. Ele não está aqui, mas eu ainda converso com ele.

— Isso é normal. O vínculo não acaba com a morte. A gente aprende a conviver com a ausência.

Aos poucos, Dona Marta começou a lembrar dos momentos bons sem desabar. Fez um álbum de fotos, escreveu cartas para o marido, visitou lugares de que gostavam. A terapia não trouxe ele de volta, mas ensinou Dona Marta a carregar a saudade sem que ela pesasse tanto.