|Ela sentia que estava bem, mas tinha medo de falar em alta. Achava que a psicóloga ia achar que ela estava fugindo ou que era cedo demais. Ficou meses pagando sessões sem necessidade, só por não saber como iniciar essa conversa. Um dia, a psicóloga mesma perguntou: "Luísa, como você se sente em relação ao seu processo?" Ela respondeu: "Acho que estou bem, mas não sei se é hora de parar." A psicóloga sorriu: "Alta não é sobre parar. É sobre concluir uma etapa." Explicou que a alta se constrói junto: avaliando objetivos alcançados, recursos adquiridos, e preparando um plano de manutenção. Nas sessões seguintes, revisaram tudo o que foi trabalhado. A psicóloga perguntou: "O que você aprendeu aqui que leva pra vida?" Ela fez uma lista. Combinaram um espaçamento gradual: quinzenal, mensal, e depois uma sessão de retorno em três meses. Não foi um fim, foi uma transição. Ela aprendeu que falar sobre alta não é trair a terapia — é amadurecer nela. E que o psicólogo quer te ver voar, não te manter dependente.