Ela saía da terapia com a sensação de que a psicóloga não a entendia. A psicóloga fazia comentários que pareciam fora da realidade, sugestões que não cabiam na vida dela. Passou semanas se calando, até que um dia falou: "Sinto que a senhora não me compreende. Quando diz X, parece que não entendeu o que eu falei." A psicóloga parou, respirou e disse: "Obrigada pela honestidade, Luísa. Pode me dar um exemplo?" Ela deu. A psicóloga ouviu sem se defender. Perguntou: "O que você precisaria que eu fizesse diferente pra se sentir compreendida?" Ela pensou e respondeu: "Gostaria que antes de sugerir algo, a senhora repetisse o que eu disse pra ver se entendeu direito." Combinaram isso. A psicóloga passou a checar: "Deixa eu ver se entendi..." E ela confirmava ou corrigia. A sensação de não ser compreendida diminuiu muito. Aprendeu que o psicólogo não é mind reader. Se ela acha que ele não entendeu, é papel dela falar. Ele não vai saber se não disser. E um bom profissional vai agradecer pelo feedback.