Como falar com o psicologo sobre a dificuldade de abrir-se?

Luísa

Ela chegava na terapia e falava do trânsito, do tempo, do que comeu no almoço — tudo, menos o que realmente importava. A psicóloga percebia, mas não forçava. Um dia, ela disse: "Luísa, você nota que a gente sempre fica na superfície?" Ela negou, mas sabia que era verdade. Na sessão seguinte, tomou coragem: "Tenho dificuldade de me abrir. Desde criança aprendi que mostrar fragilidade é perigoso. Mas quero mudar." A psicóloga agradeceu pela honestidade. Perguntou o que a ajudaria a se sentir segura: se era falar de olhos fechados, escrever antes, ou ter mais tempo. Combinaram que ela traria tópicos por escrito. Na primeira vez, leu um papel tremendo. Na segunda, já falou sem ler. Com o tempo, foi se soltando. Aprendeu que a dificuldade de se abrir não é defeito — é proteção que um dia foi necessária. Falar sobre isso com o psicólogo é o primeiro passo pra deixar essa proteção de lado. Ele não vai te forçar, mas também não vai adivinhar o que te cala.