Como funciona a terapia de casal?

Beto e Clarinha

Beto e Clarinha estavam sentados lado a lado no consultório, mas parecia que um oceano os separava. As discussões tinham se tornado frequentes: dinheiro, tempo, filhos, tudo virava motivo de briga. Clarinha tinha sugerido a terapia de casal, e Beto aceitou, contrariado.

— Não vou ficar ouvindo que sou o errado — disse Beto antes de entrar.

— Não é sobre certo ou errado. É sobre a gente aprender a se ouvir — respondeu Clarinha.

A terapeuta começou pedindo que cada um falasse sem ser interrompido. Beto falou primeiro, sobre a pressão que sentia como provedor, o cansaço de chegar em casa e ainda discutir. Clarinha ouviu sem responder. Depois foi a vez dela, que falou sobre a solidão dentro do casamento, a sensação de ser invisível.

— Quando vocês discutem, o que cada um realmente está pedindo? — perguntou a terapeuta.

Beto percebeu que não pedia ajuda, pedia reconhecimento. Clarinha percebeu que não criticava, pedia presença. A terapia deu palavras a sentimentos que estavam engasgados.

Nas sessões seguintes, aprenderam a usar frases com "eu sinto" em vez de "você nunca". Pararam de se acusar e começaram a se escutar. Não foi fácil, mas aos poucos o oceano entre eles virou um rio que dava para atravessar de mãos dadas.