Ele tomava a medicação e passava mal. Boca seca, sonolência diurna, queda de pressão. Mas na terapia ele falava de tudo, menos disso. Achava que era conversa pra psiquiatra, que psicólogo não precisava saber. Até que a psicóloga percebeu que ele estava disperso, bocejando nas sessões. Perguntou: "Carlos, você tem dormido bem?" Ele contou que sim, mas que durante o dia vivia sonolento. Ela perguntou dos remédios e ele finalmente abriu o jogo: "Desde que aumentaram a dose do antidepressivo, fico um zumbi." Ela anotou, perguntou detalhes — horário, intensidade, duração — e disse: "Isso é informação clínica relevante. Você precisa relatar ao psiquiatra, mas eu também preciso saber porque afeta seu humor e sua disposição pro dia a dia." Combinaram que ele traria um diário de efeitos. Quando mostrou pro psiquiatra, ele ajustou o horário da dose e melhorou muito. Ele aprendeu que o psicólogo é aliado, não fiscal. Esconder efeitos colaterais atrasa o tratamento.