Luísa não sentia vontade de fazer nada. Acordar era uma batalha, tomar banho exigia um esforço imenso, e a cama parecia um imã que a mantinha presa. As amigas diziam que era preguiça, mas ela sabia que era diferente. Era como se uma nuvem cinzenta tivesse se instalado dentro dela.
— Isso se chama depressão — disse a psicóloga na primeira sessão. — Não é fraqueza, nem falta de Deus, nem preguiça. É uma doença como qualquer outra.
Luísa ouviu aquilo e sentiu um alívio imediato. Durante meses, ela se culpou por não conseguir sair da cama, por não ter ânimo para nada. A terapia começou com pequenas metas: levantar, escovar os dentes, tomar café. Não precisava fazer mais que isso.
— Hoje seu único objetivo é tomar banho — disse a psicóloga. — Se conseguir, já é vitória.
Aos poucos, Luísa foi retomando atividades. A terapia ajudou a identificar pensamentos automáticos negativos, aqueles que diziam "você não serve para nada" ou "nunca vai melhorar". Ela aprendeu a questionar esses pensamentos, a não aceitá-los como verdade absoluta.
— A depressão mente para a gente — explicou a psicóloga. — Ela distorce a realidade.
Luísa também começou a fazer caminhadas curtas e a se alimentar melhor. O psiquiatra receitou um antidepressivo, que levou algumas semanas para fazer efeito. Combinado com a terapia, o resultado veio: os dias ainda tinham nuvens, mas o sol começava a aparecer entre elas.