Como lidar com a resistência a fazer terapia?

Beto

Beto foi arrastado para a terapia pela esposa. Literalmente. Clarinha marcou a consulta, colocou o endereço no GPS e disse: "Você vai. É isso." Ele foi contrariado, de braços cruzados.

— Não vou ficar pagando para falar de sentimento — resmungou.

— Só vai uma vez. Se não gostar, não volta.

Ele entrou no consultório com a postura fechada. A psicóloga perguntou como ele estava, e ele respondeu: "Estou aqui porque minha mulher mandou."

— E o que você acha disso? — perguntou ela, sem se abalar.

— Acho perda de tempo.

— Então estamos no mesmo lugar. Só temos quarenta minutos. Se você quiser, podemos passar o tempo em silêncio.

Beto ficou em silêncio por cinco minutos, olhando para a parede. Mas a curiosidade falou mais alto.

— A senhora acha que terapia resolve alguma coisa?

— Resolve se a pessoa quiser. Se não quiser, não resolve mesmo.

— E como eu vou querer se nem acredito?

— Às vezes a gente só precisa de uma experiência boa para mudar de ideia.

Na segunda sessão, Beto foi sozinho. Na quinta, já falava sobre o pai, o trabalho, a ansiedade. Na décima, disse: "Devia ter vindo antes."

— O que mudou? — perguntou a psicóloga.

— Percebi que estava carregando um monte de coisa sozinho. Que isso não é força, é burrice.

Beto não se transformou num entusiasta da terapia. Mas passou a defender que todo homem deveria experimentar pelo menos uma vez. A resistência deu lugar ao reconhecimento. E ele aprendeu que aceitar ajuda não é fraqueza. É inteligência.