Luísa recebeu um pedido da chefe para assumir mais um projeto. Já estava sobrecarregada, mas a palavra "não" não saía da boca. Respondeu: "Vou ver o que consigo fazer." Saiu do escritório com o estômago embrulhado.
— Por que você não disse não? — perguntou a psicóloga.
— Medo de parecer preguiçosa. De perder o emprego. De decepcionar.
— E o que acontece quando você diz sim para tudo?
— Fico exausta, irritada, adoeço.
— O não é um ato de autocuidado. Mas exige prática.
Luísa começou a treinar respostas para situações difíceis. Decorou frases neutras: "Não posso assumir agora, minha capacidade está no limite." "Preciso recusar dessa vez." "Vou precisar passar essa demanda."
Na primeira vez que usou com a chefe, o coração batia forte. Mas a chefe respondeu: "Tudo bem, vou pedir para outra pessoa." Nada aconteceu. O mundo não acabou.
— Cada vez que você diz não para algo que não quer, está dizendo sim para você mesma.
Ela também aprendeu a diferença entre um não definitivo e um não negociável. Às vezes podia oferecer alternativa: "Não posso fazer isso hoje, mas posso na semana que vem." Outras vezes, o não era definitivo e estava tudo bem.
— A culpa é um hábito. Você aprendeu a se sentir culpada por se priorizar. Mas pode desaprender.
Com a prática, o não foi ficando mais fácil. Luísa descobriu que as pessoas aceitavam melhor do que ela imaginava. E que dizer não era libertador.