Beto estava no meio de uma discussão com Clarinha quando sentiu o peito apertar. A respiração ficou curta, os ombros tensos, a voz elevada. Ele sabia que ia explodir. Mas lembrou do exercício que a psicóloga ensinou.
— Respiração diafragmática — murmurou, parando no meio da briga.
— O quê? — perguntou Clarinha, confusa.
— Me dá um minuto.
Beto colocou a mão na barriga e inspirou profundamente pelo nariz, sentindo o abdômen expandir. Segurou por quatro segundos. Depois soltou devagar pela boca. Repetiu cinco vezes.
— Como está agora? — perguntou a psicóloga, quando ele contou na sessão.
— Melhor. A raiva diminuiu, consegui pensar antes de falar.
— A respiração é a alavanca mais rápida para o sistema nervoso. Quando você respira devagar, manda um sinal para o cérebro: não há perigo, pode relaxar.
Beto aprendeu três técnicas. A primeira era a respiração quadrada: inspirar por quatro segundos, segurar por quatro, expirar por quatro, pausar por quatro. Era útil antes de reuniões estressantes.
A segunda era a respiração 4-7-8: inspirar por quatro, segurar por sete, expirar por oito. Para usar à noite, antes de dormir.
A terceira era a respiração profunda simples: cinco segundos inspirando, cinco expirando, por dois minutos. Beto usava essa no trânsito, na fila do banco, em qualquer momento de tensão.
— A respiração está sempre com você. É a ferramenta mais portátil que existe.
Beto descobriu que controlar a respiração era controlar a ansiedade pela porta dos fundos. Simples, mas poderoso.