Luísa encerrou a terapia há três meses. No início, tudo ia bem. Mas nas últimas semanas, sentia os velhos padrões querendo voltar. A neblina mental, a vontade de se isolar, os pensamentos negativos.
— Não era para eu estar curada? — pensou, frustrada.
Ela releu o caderno que fez durante a terapia. As anotações das sessões, os exercícios, as técnicas de respiração. Decidiu retomar a rotina que a ajudava: acordar no mesmo horário, caminhar trinta minutos, escrever três gratidões no diário.
— O progresso não é uma linha reta. Tem altos e baixos — dissera a psicóloga na última sessão.
Luísa também criou um grupo de apoio com duas amigas que tinham feito terapia. Elas se encontravam online uma vez por semana para conversar sobre como estavam. Não era terapia, mas era um espaço de cuidado.
Em um dos dias mais difíceis, Luísa ligou para a clínica e agendou uma sessão de manutenção. A psicóloga a recebeu de volta sem julgamento.
— Você não falhou. Você está se cuidando.
— Achei que não precisaria mais voltar.
— Voltar não é retroceder. É fazer manutenção preventiva.
Luísa entendeu que manter o progresso exigia esforço contínuo. A terapia tinha dado as ferramentas, mas usar era responsabilidade dela. E não havia vergonha em precisar de um check-up emocional de vez em quando.