Como saber a hora de encerrar a terapia?

Clarinha

Clarinha percebeu que as sessões estavam diferentes. Chegava no consultório e não tinha muito o que dizer. A ansiedade estava controlada, os ataques de pânico tinham cessado, ela dormia melhor e se relacionava melhor com a família.

— Estou sentindo que não tenho mais o que falar aqui — disse à psicóloga.

— É um bom sinal. Significa que seu repertório emocional cresceu.

A psicóloga explicou que a terapia não era para sempre. O objetivo era justamente capacitar a pessoa a viver sem o suporte semanal. Clarinha sentiu um misto de orgulho e medo.

— E se eu piorar depois que parar?

— Você sempre pode voltar. Uma sessão de manutenção a cada mês ou dois. Mas acredito que você está pronta.

Elas planejaram o encerramento: mais três sessões para consolidar o que foi aprendido, revisar as ferramentas, e falar sobre os planos para manter o progresso.

Na última sessão, Clarinha levou um caderno com os principais aprendizados. Leu em voz alta: "Eu não preciso ser perfeita. Posso pedir ajuda. Respirar fundo antes de reagir. Dizer não sem culpa."

— Esse caderno é seu manual de emergência — disse a psicóloga.

— E se eu recair?

— Recair não é fracasso. É parte do processo. Você sabe o caminho de volta.

Clarinha saiu do consultório pela última vez com lágrimas nos olhos, mas também com um sorriso. A terapia tinha terminado, mas os aprendizados a acompanhariam para sempre.