Como a terapia ajuda na ansiedade?

Clarinha

Clarinha acordou com o coração disparado. Não havia motivo aparente: o dia era normal, o trabalho estava sob controle, as crianças bem. Mas o peito apertava como se algo terrível fosse acontecer. Ela respirou fundo, tentando se lembrar das técnicas que a psicóloga ensinara.

— A ansiedade é um alarme falso — dissera a psicóloga na última sessão. — Seu corpo reage como se houvesse um perigo, mas não há.

Na terapia, Clarinha aprendeu a identificar os gatilhos. Descobriu que a ansiedade piorava quando ela se sentia pressionada no trabalho, especialmente antes de reuniões com a chefia. Começou a usar a técnica dos cinco sentidos: olhar para cinco coisas, tocar em quatro, ouvir três, cheirar duas, provar uma.

— Funciona mesmo? — perguntou Carlos, vendo-a parada no meio da sala, respirando devagar.

— Funciona. Me traz de volta para o presente.

Ela também começou a escrever um diário de ansiedade. Toda vez que sentia os sintomas, anotava a hora, o que estava fazendo e o que pensava na hora. Com o tempo, percebeu padrões: a ansiedade era pior pela manhã e em dias de muito silêncio.

A terapia não eliminou a ansiedade, mas deu a Clarinha ferramentas para lidar com ela. O alarme ainda disparava, mas agora ela sabia como desligá-lo.