Carlos estava há seis meses com a mesma psicóloga, mas sentia que não evoluía. As sessões eram agradáveis, mas superficiais. Ela concordava com tudo que ele dizia, não o desafiava, não trazia novas perspectivas.
— Talvez você precise trocar de terapeuta — disse Clarinha.
— Mas parece um termino de namoro. Como falo que quero parar?
Carlos levou o assunto à sessão. Foi difícil, mas honesto:
— Sinto que cheguei num limite aqui. Gosto da senhora, mas preciso de uma abordagem diferente.
A psicóloga recebeu bem. — É saudável reconhecer isso. Vou indicar alguns colegas com outras abordagens.
Carlos pesquisou três indicações. Agendou uma sessão experimental com cada. Na primeira, sentiu que a química não encaixava. Na segunda, a abordagem era muito rígida. Na terceira, uma psicóloga com abordagem integrativa, ele sentiu que podia crescer.
— Trocar de terapeuta não é fracasso — disse a nova psicóloga. — É você conhecendo suas necessidades.
A transição foi suave. A nova terapeuta pediu um resumo do que tinha trabalhado antes e respeitou o que já estava construído. Carlos sentiu que não tinha perdido o tempo anterior, apenas mudado de rota.
— O terapeuta ideal não existe. Existe o terapeuta certo para cada momento da sua vida.
Carlos aprendeu que a relação terapêutica, como qualquer relação, pode terminar. E que terminar de forma consciente era parte do amadurecimento.