Luísa chegou na sessão e encontrou um bilhete na porta: a psicóloga teve uma emergência familiar e precisou se ausentar por tempo indeterminado. O coração de Luísa disparou. Sentiu abandono, raiva, medo.
Na sessão seguinte, uma psicóloga substituta tentou dar continuidade, mas Luísa não conseguia se abrir. Sentia que tinha começado do zero.
— É normal sentir o que está sentindo — disse a nova psicóloga. — A relação terapêutica é um vínculo real. Uma perda é uma perda.
Luísa levou algumas sessões para processar o ocorrido. Falou sobre outras perdas na vida, sobre o medo de criar vínculos e perdê-los. A terapia estava virando um espelho da sua história.
— Você pode entrar em contato com a antiga terapeuta para um fechamento, se quiser.
Luísa escreveu um e-mail. Não recebeu resposta, mas a carta serviu para ela mesma. Expressou a gratidão, a raiva, a tristeza. Depois, decidiu dar uma chance à nova profissional.
— Toda despedida traz uma perda e uma oportunidade — disse a nova psicóloga.
Com o tempo, Luísa criou vínculo com a nova terapeuta. Foi diferente, mas também foi bom. Aprendeu que os terapeutas também são humanos, com suas urgências e limitações. E que a terapia a preparava para lidar com as rupturas da vida.