Como a terapia ajuda no perdão?

Dona Marta

Dona Marta carregava uma mágoa de anos contra o irmão. Ele não tinha ido ao enterro do pai, não ajudou com as despesas, desapareceu na hora que a família mais precisava. Toda vez que pensava nele, sentia o estômago embrulhar.

— Perdoar não é esquecer — explicou a psicóloga. — É soltar o peso que você carrega.

— Mas ele não merece meu perdão.

— O perdão não é para ele. É para você. É você quem sofre carregando essa raiva.

Dona Marta resistiu. Achava que perdoar era concordar com o que o irmão fez. Mas a psicóloga explicou que não. Perdoar era reconhecer que a mágoa a prendia ao passado, e que ela merecia seguir em frente.

— Você não precisa se reconciliar com ele. Pode perdoar à distância.

A terapia usou uma técnica de carta não enviada. Dona Marta escreveu tudo o que sentia: a raiva, a decepção, a tristeza. Depois leu em voz alta, na sessão. Chorou. Depois, a psicóloga pediu que ela escrevesse uma segunda carta, desta vez se despedindo da mágoa.

— Não vou esquecer o que ele fez. Mas vou deixar de carregar isso.

Dona Marta queimou a primeira carta num ritual simbólico. Não procurou o irmão, não se reconciliou. Mas, dentro dela, algo mudou. A mágoa perdeu a força. Ela se sentiu mais leve, como se tivesse largado um peso que carregava havia anos sem perceber.