Clarinha descobriu que muitas vezes ela não ouvia de verdade. Enquanto o outro falava, ela já estava formulando a resposta, pensando em outra coisa, ou julgando o que estava ouvindo. A psicóloga propôs um exercício.
— Escuta ativa é ouvir para compreender, não para responder.
O exercício era com Carlos: ele falava por três minutos sobre um tema qualquer, e Clarinha só podia ouvir. Sem interromper, sem dar opinião, sem tentar resolver. Depois, ela repetia o que entendeu.
— Você disse que está preocupado com o prazo do trabalho e que sente que não vai dar conta — resumiu Clarinha.
— Isso. Obrigado por ouvir.
— Só isso? — estranhou Clarinha. — Não vou dar solução?
— Não. Às vezes a pessoa só quer ser ouvida.
Clarinha achou estranho no início. Tinha o hábito de querer resolver tudo. Mas aprendeu que nem todo problema precisa de solução imediata. Muitas vezes as pessoas só precisam desabafar.
— Escutar sem julgar é um ato de amor — disse a psicóloga.
Ela praticou também com os filhos. Quando Pedro voltava da escola, em vez de bombardear com perguntas, ela fazia uma só: "Como foi seu dia?" E depois apenas ouvia. Pedro falava mais.
— Você está diferente, mãe. Mais calma.
— Estou aprendendo a ouvir melhor.
A escuta ativa transformou as relações de Clarinha. As pessoas se sentiam mais acolhidas perto dela. E ela descobria que ouvir era tão importante quanto falar.