Beto estava confuso. O médico do posto tinha recomendado que ele procurasse ajuda para a ansiedade, mas não explicou direito se era psicólogo ou psiquiatra. Beto passou a tarde pesquisando no celular e cada site dizia uma coisa diferente.
— O psicólogo faz terapia, conversa, dá ferramentas — explicou Dona Marta, que era auxiliar de enfermagem. — O psiquiatra é médico, receita remédio.
— Mas eu preciso de remédio? — perguntou Beto, franzindo a testa.
— Não necessariamente. Às vezes a terapia já resolve, às vezes precisa dos dois. O ideal é começar com um psicólogo e ele avalia se precisa encaminhar.
Beto marcou uma consulta com a psicóloga do posto. Ela fez uma avaliação completa, perguntou sobre sintomas, sono, apetite, pensamentos. Depois de três sessões, sugeriu que ele procurasse também um psiquiatra para avaliar medicação.
— Não quer dizer que você vai tomar remédio para sempre — explicou a psicóloga. — Mas a medicação pode ajudar a reduzir os sintomas enquanto a terapia faz efeito.
Beto seguiu a orientação. No psiquiatra, descobriu que a ansiedade dele tinha um componente químico que podia ser tratado com remédio. Começou com uma dose baixa, combinando com as sessões de terapia. Em um mês, já sentia diferença. Entendeu que psicólogo e psiquiatra não são concorrentes, são parceiros no cuidado.