Luísa recebeu uma promoção no trabalho e, em vez de comemorar, sentiu medo. Achava que tinha enganado todo mundo, que não merecia o cargo, que a qualquer momento descobririam que ela não sabia o suficiente.
— Isso tem nome: síndrome do impostor — disse a psicóloga.
— Mas e se for verdade? E se eu realmente não der conta?
A psicóloga pediu que Luísa listasse as qualificações para o cargo: cinco anos de experiência, curso de especialização, resultados positivos em projetos anteriores. A lista era longa.
— Você acha que a empresa promoveu alguém sem mérito? — perguntou a psicóloga.
— Não, mas...
— Você aplica um padrão para si mesma e outro para os outros. Para os colegas, você vê mérito. Para si, vê sorte.
Luísa aprendeu que a síndrome do impostor é comum em profissionais competentes. Quanto mais a pessoa sabe, mais percebe o que não sabe. O problema é achar que todo mundo sabe mais.
— Você não precisa saber tudo. Ninguém sabe. A diferença é que os outros fingem que sabem, e você acha que deveria saber.
A terapia ensinou Luísa a coletar evidências objetivas contra os pensamentos de fraude. Sempre que sentia que não merecia algo, relia avaliações positivas, e-mails de elogio, resultados alcançados.
— O impostor não é você. É a voz crítica que mente para você se proteger.
Com o tempo, Luísa começou a aceitar os elogios sem se encolher. A síndrome ainda aparecia, mas já não a paralisava. Ela merecia estar onde estava.