Beto se olhava no espelho e só via defeitos. Era baixo, tinha o nariz grande, não tinha estudado o suficiente. Comparava-se com os colegas que tinham carro melhor, emprego melhor, casamento melhor. Sentia que nunca estava à altura.
— Autoestima não é se achar melhor que os outros — explicou a psicóloga. — É se aceitar como você é, com qualidades e limitações.
Beto tinha dificuldade em reconhecer qualidades. Quando a psicóloga pediu que listasse cinco pontos fortes, ele levou vinte minutos para escrever dois: "sou trabalhador" e "não desisto fácil".
— E o que mais? Você é honesto? Leal? Bom pai? Bom amigo?
Beto foi acrescentando, contrariado. A psicóloga pediu que ele perguntasse a pessoas próximas o que admiravam nele. Clarinha disse que ele era dedicado, parceiro, engraçado. O filho disse que ele era o melhor pai do mundo.
— A visão que você tem de si mesmo está distorcida. Você se enxerga com lentes de aumento para os defeitos e com óculos escuros para as qualidades.
Beto começou um exercício diário: escrever uma coisa que tinha feito bem no dia. Não precisava ser grande: "ajudei um colega no trabalho", "fiz o jantar", "escutei Clarinha sem interromper".
— Seu valor não está no que você tem, mas no que você é.
Com o tempo, Beto começou a se olhar no espelho com outros olhos. Ainda via os mesmos traços, mas agora também via as qualidades. A autoestima não veio da noite para o dia, mas cresceu como planta regada todos os dias.