Carlos passava as noites olhando para o teto. A cabeça não desligava: pensava no trabalho, nas contas, no futuro. Quando finalmente pegava no sono, acordava horas depois com o coração acelerado. O dia seguinte era um arrastar de cansaço.
— Insônia não é só não conseguir dormir — disse a psicóloga. — É também acordar várias vezes ou acordar cedo demais.
Carlos achava que remédio para dormir era a única solução. Mas a psicóloga propôs algo diferente: terapia cognitivo-comportamental para insônia, conhecida como TCC-I.
— A primeira regra é resgatar o quarto como lugar de sono. Nada de celular na cama, nada de televisão.
Carlos criou uma rotina noturna: desligava telas uma hora antes, tomava um chá, lia um livro físico. A psicóloga também ensinou a técnica de controlar o estímulo: se não dormisse em vinte minutos, levantar e ir para outro cômodo fazer algo calmo, até sentir sono.
— Ficar na cama se revirando só associa a cama à ansiedade.
Outra técnica foi a restrição de sono: Carlos dormia menos horas no início, para consolidar o sono, e aumentava gradualmente. Funcionou. Em duas semanas, ele dormia melhor em menos tempo.
— Você não precisa de remédio para dormir. Precisa de hábitos e de reduzir a ansiedade.
Carlos aprendeu que a insônia muitas vezes escondia preocupações não resolvidas. Ao tratar a ansiedade de fundo, o sono voltou naturalmente. As noites em claro ficaram no passado.