Clarinha estava no mercado quando sentiu. O coração disparou, o suor escorreu pelas mãos, a visão escureceu nas bordas. Ela largou o carrinho e saiu correndo para o ar livre, ofegante, achando que ia morrer. Não era a primeira vez.
— Você está tendo um ataque de pânico — explicou a psicóloga na sessão seguinte. — O corpo entra em modo de emergência, mas não há perigo real.
Clarinha sentia vergonha. Achava que estava ficando louca. A psicóloga explicou a fisiologia: a adrenalina dispara, a respiração acelera, os músculos tensos. O corpo se prepara para uma ameaça que não existe.
— Quando você sente os sintomas, seu cérebro interpreta como perigo. E entra num ciclo: medo dos sintomas, mais sintomas, mais medo.
A terapia ensinou técnicas de respiração diafragmática e ancoragem. Clarinha aprendeu a identificar os primeiros sinais e a interromper o ciclo antes do ataque se instalar.
— Seu coração disparou, mas você não desmaiou, não morreu. Ninguém nunca morre de ataque de pânico.
Ela também enfrentou gradualmente as situações que evitava. A psicóloga criou uma hierarquia de exposição: primeiro ir ao mercado com Carlos, depois sozinha por cinco minutos, depois quinze. Cada passo era um desafio, mas cada vitória enfraquecia o medo.
Em três meses, Clarinha tinha controle. Os ataques não desapareceram de vez, mas ela sabia lidar. O pânico não a dominava mais.