Quais os efeitos colaterais dos medicamentos psiquiátricos?

Luísa

Luísa começou o antidepressivo na sexta-feira, como o psiquiatra orientou. No sábado de manhã, acordou com uma sensação estranha: a boca seca, como se tivesse dormido de boca aberta a noite inteira. Bebeu água, mas a secura voltava.

— É um dos efeitos colaterais mais comuns — disse o psiquiatra na consulta de retorno. — Passa nas primeiras semanas.

Mas não era só a boca seca. Luísa sentia náusea depois do café, o estômago embrulhava. O médico recomendou tomar o remédio após o jantar, com comida, e a náusea melhorou.

Outro efeito foi a sonolência. Durante o dia, Luísa bocejava sem parar. No trabalho, precisou tomar dois cafés para se manter acordada. O psiquiatra ajustou o horário da medicação para a noite e a sonolência diminuiu.

— Todo remédio tem efeitos colaterais — explicou o médico. — A questão é se os benefícios superam os desconfortos.

Na terceira semana, os efeitos colaterais começaram a passar. Luísa sentiu que o remédio estava fazendo efeito: a neblina mental clareou, a disposição voltou. Ela entendeu que a adaptação era um processo, um período de transição entre o sofrimento e a melhora.

— Se os efeitos forem muito fortes, a gente ajusta a dose ou troca a medicação — garantiu o psiquiatra.

Luísa seguiu o tratamento e, com o tempo, os colaterais desapareceram quase por completo. O que ficou foi a estabilidade que ela não sentia há anos.