Como funcionam os antidepressivos?

Beto

Beto sempre teve preconceito com remédio psiquiátrico. Achava que era coisa de “louco”, que deixava a pessoa dopada, que era muleta para quem não tinha força de vontade. Até que o psiquiatra explicou como funcionavam os antidepressivos.

— A depressão é uma condição médica, não uma escolha — disse o médico. — O antidepressivo age nos neurotransmissores do cérebro, equilibrando substâncias como serotonina e noradrenalina.

— Mas não dá para resolver só conversando? — perguntou Beto.

— Dá, em muitos casos. Mas quando o desequilíbrio químico é grande, a terapia sozinha pode não ser suficiente. É como diabetes: você pode tentar controlar só com dieta, mas às vezes precisa de insulina.

Beto começou com dose baixa de sertralina. O médico avisou que os efeitos levariam de duas a quatro semanas para aparecer. Na primeira semana, Beto sentiu alguns efeitos colaterais: boca seca, náusea leve, sono um pouco agitado.

— É normal, o corpo está se adaptando — disse o psiquiatra.

Depois de três semanas, Beto percebeu que os pensamentos negativos não eram tão fortes. Ele ainda tinha dias ruins, mas não afundava neles. O remédio não tirava os problemas, mas tirava o peso extra que impedia de enfrentá-los.

— Não é felicidade em pílula — explicou o médico. — É uma muleta para você andar enquanto a terapia te ensina a caminhar sozinho.