Como falar sobre estresse pós-traumático na terapia?

Luísa

Ela carregava uma história que não era culpa dela, mas que pesava como se fosse. Um assalto, uma perda, uma violência que ela nunca tinha processado. Os flashbacks vinham sem avisar — um som, um cheiro, uma situação, e ela estava de volta ao momento do trauma, com o coração disparado e o corpo em alerta. Mas ela nunca falava sobre isso na terapia. "Já passou", "tem gente pior", "não vou ficar remoendo".

O Carlos percebeu que ela evitava certos assuntos. Num dia, perguntou diretamente: "Tem algo que você nunca me contou?" Ela desabou. Contou sobre o trauma, esperando que ele dissesse "já passou, supera". Mas ele disse outra coisa: "O que você passou não foi culpa sua. E o que você sente agora é uma resposta normal do seu corpo a uma situação anormal."

Ele explicou que estresse pós-traumático não é fraqueza — é uma lesão. E que lesão se trata. Fizeram EMDR, terapia de exposição gradual, técnicas de ancoragem. Não foi rápido. Mas foi a primeira vez que ela parou de se culpar por não ter superado. Falar sobre o trauma sem vergonha foi o início da recuperação.