Clarinha ligou para a central do convênio médico com o cartão na mão. A atendente pediu o número de matrícula e explicou as regras: o plano cobria até vinte sessões de psicologia por ano, com coparticipação.
— Vinte sessões por ano? Dá menos de duas por mês — calculou Clarinha.
— Depois das vinte, a senhora pode pedir prorrogação com relatório médico — explicou a atendente.
Ela anotou os procedimentos: primeiro precisava de um encaminhamento do clínico geral, depois a central autorizava e liberava a lista de psicólogos credenciados. Parecia burocrático, mas Clarinha foi atrás.
O clínico do posto emitiu o encaminhamento sem dificuldade. — Você está com sintomas de ansiedade, terapia é essencial — disse ele.
Com a autorização, Clarinha acessou o site do convênio e escolheu uma psicóloga perto de casa. O valor da coparticipação era de trinta reais por sessão, muito mais barato que o particular.
— Por isso que a gente paga plano de saúde — comentou Carlos. — Para usar quando precisa.
Nas sessões seguintes, Clarinha aprendeu a gerenciar as vinte sessões: uma por semana, mas com pausas estratégicas para esticar até o fim do ano. Quando precisou de mais, o relatório da psicóloga foi aceito e ela ganhou mais dez sessões. O convênio cobria, desde que ela soubesse como pedir.