Luísa tinha medo de fracassar em tudo. Não tentava um trabalho novo porque podia não dar certo. Não terminava um relacionamento ruim porque podia se arrepender. Não começava um projeto pessoal porque podia não ficar bom. O medo a paralisava. Mas quando o Carlos perguntava, ela respondia "sou só precavida".
Um dia ele disse: "Precaução e paralisia são coisas diferentes." Ele fez Luísa olhar para o medo de fracassar não como uma proteção, mas como uma prisão. O problema não era o fracasso em si — era o que ele significava: que ela não era boa o suficiente, que os outros iam julgá-la, que ela ia perder valor aos olhos de quem importava.
Falar sobre isso sem vergonha foi libertador. Ele perguntou: "E se você fracassar, o que realmente acontece?" No papel, as consequências eram sempre menos catastróficas do que ela imaginava. Ela começou um exercício de "fracassos planejados" — fazer coisas pequenas com potencial de erro só pra dessensibilizar o medo. Funcionou. Cada "fracasso" mostrava para ela que o mundo não acabava.