Como falar sobre dependência emocional na terapia?

Luísa

Dependência emocional pra ela era uma palavra suja. Ela sabia que era dependente, mas morria de vergonha de admitir. Precisava de aprovação constante, não suportava ficar sozinha, moldava seus gostos pelos outros. Chamava de "amor", mas era medo de abandono. Quando tentava falar sobre isso na terapia, minimizava: "Sou só carente mesmo."

O Carlos cortou: "Carência não é defeito moral. É um padrão que se aprendeu e pode se desaprender." Ele explicou que dependência emocional tem raiz na infância, na falta de segurança, no medo de ser deixada. E que o primeiro passo era reconhecer, sem vergonha, que ela precisava de ajuda pra construir autonomia afetiva.

Eles trabalharam com um diário de decisões: o que ela fazia por si e o que fazia pelo outro. Aos poucos, foi aprendendo a estar sozinha sem se sentir vazia. A dependência não sumiu de uma hora pra outra. Mas a vergonha de falar sobre ela sumiu primeiro. E sem vergonha, o tratamento virou possível.