Como falar sobre autocompaixão na terapia?

Luísa

Ela se tratava como trataria um inimigo. Cada erro era motivo pra surto, cada falha era prova de incompetência, cada olhar no espelho vinha acompanhado de crítica. "Você é fraca", "você não presta", "você nunca vai conseguir". Ela achava que isso era realismo, que ser durona consigo mesma a mantinha nos trilhos.

Quando o Carlos mencionou autocompaixão, ela torceu o nariz. "Isso não é coisa de terapia, é autoajuda de Instagram." Ele não se abalou. "Autocompaixão não é se lamuriar. É se tratar com a mesma gentileza que você trataria uma amiga." Ele pediu pra ela imaginar o que diria a uma amiga que tivesse passado pelo que ela passou. Ela disse palavras de acolhimento. Depois ele perguntou: "E o que você disse pra si mesma?" Silêncio. Ela tinha se esculachado.

Foi um choque. Ela começou um exercício simples: toda vez que a crítica interna aparecesse, ela perguntava "eu falaria isso pra uma amiga?" Quase sempre a resposta era não. Levou meses pra mudar o tom interno. A autocompaixão não a deixou mole — a deixou mais forte, porque parou de gastar energia se destruindo.