Luísa era incapaz de decidir. O que comer, que roupa vestir, se trocava de emprego, se terminava o relacionamento — qualquer escolha a paralisava. Pesava prós e contras até a exaustão, pedia opinião de todo mundo, e no fim não decidia nada. Deixava a vida decidir por ela. E sempre se arrependia.
Na terapia, ela falava disso como se fosse personalidade: "Sou indecisa mesmo." Mas o Carlos a provocou: "Indecisão não é traço. É sintoma de algo." Ela perguntou se ele podia dar ferramentas pra ela decidir melhor. Ele apresentou a técnica dos dez/dez/dez: como ela vai se sentir sobre essa decisão daqui a dez minutos, dez meses, dez anos? E a matriz de decisão simples: o que ganha, o que perde, o que é irreversível.
Ela usou pra decidir trocar de emprego. A técnica não eliminou o medo, mas lhe deu clareza. E com o tempo, foi ganhando confiança na sua capacidade de escolher. Cada decisão acertada fortalecia a próxima.