Ela odiava conflito. Fazia de tudo pra evitar — cedia, se calava, fingia que estava tudo bem. Mas o conflito não sumia. Virava ressentimento, distanciamento, explosão tarde da noite por um motivo besta. Levou o problema pro Carlos, mas de forma genérica: \"Não sei lidar com briga.\"
Ele perguntou: \"Você quer ferramentas específicas?\" Ela nunca tinha pensado nisso. Sim, ela queria. Ele a ensinou o protocolo de resolução de conflitos: um fala, o outro escuta sem interromper, depois repete o que ouviu pra confirmar, e só então responde. E a ensinou a diferença entre posição e interesse — não brigar pelo que cada um quer, mas entender o que cada um precisa.
Ela usou com o namorado, com a mãe, com o chefe. Em todas as situações, funcionou melhor que o silêncio ou a explosão. O conflito não deixou de existir, mas deixou de ser uma guerra. Virou uma conversa difícil, mas possível.