Carlos sempre achou que terapia era cara demais para o orçamento dele. Quando começou a pesquisar, os valores assustavam: duzentos, trezentos reais por sessão. Com as contas do mês já apertadas, parecia um luxo inalcançável.
— Mas eu também não posso continuar assim — desabafou com Clarinha.
— Tem alternativas. Convênio cobre algumas sessões, e tem clínicas sociais com valor reduzido.
Carlos descobriu que o plano de saúde da empresa cobria até vinte sessões por ano. Precisava passar por uma triagem, mas era de graça. Também encontrou clínicas-escola de universidades, onde alunos de psicologia atendiam com supervisão de professores por preços simbólicos, às vezes vinte reais.
— O importante é começar — disse a psicóloga da clínica social onde ele se consultava. — Se você esperar ter dinheiro sobrando, pode nunca começar.
Ele também achou plataformas online como Zenklub e içana, com sessões a partir de sessenta reais. Nem todos os profissionais eram mais baratos, mas a variedade de preços permitia encontrar algo no bolso.
— Vale mais pagar cem reais por semana do que continuar sofrendo — concluiu Carlos.
No fim do mês, ele cortou o delivery e o streaming extra. A terapia ocupou o lugar na planilha. E no balanço final, Carlos sentiu que era o melhor investimento que tinha feito em muito tempo.