Ela não conseguia se concentrar. Começava uma tarefa, desviava pra outra, cinco minutos depois estava no celular, e no fim do dia não tinha feito nada. Se chamava de preguiçosa. Falava pro Carlos que era falta de disciplina. Ele ouvia, mas um dia perguntou: "Você já pensou que pode ser ansiedade? A dificuldade de focar também é um sintoma."
Foi um choque. Ela nunca tinha associado a falta de foco com o turbilhão dentro da cabeça. Perguntou: "O que eu faço pra melhorar?" Ele ensinou o método Pomodoro — vinte e cinco minutos de foco total, cinco de pausa. Parecia simples demais. Mas com o tempo, foi aumentando. Trinta minutos. Quarenta. Uma hora.
As ferramentas de foco que ele deu não eram mágicas. Eram técnicas baseadas em como o cérebro funciona. Reduzir o número de decisões, criar um ambiente livre de distrações, definir intenção antes de começar. Funcionaram porque ela parou de se culpar e começou a se estruturar.