Ela não dormia. Passava a noite olhando pro teto, vendo as horas passarem, sentindo o desespero crescer a cada número que mudava no relógio. Levantava exausta, passava o dia num estado vegetativo, e à noite o ciclo recomeçava. Na terapia, ela falava de tudo — menos de insônia. Achava que não era assunto pra psicólogo. "Isso é médico", ela pensava.
Até que um dia, desabafou quase sem querer: "Carlos, não durmo faz uma semana." Ele parou a sessão. "Luísa, isso é gravíssimo. Por que você não falou antes?" Explicou que insônia é um dos principais sintomas de ansiedade e depressão, e que a terapia tinha muito a oferecer. Ensinou higiene do sono — horário fixo, sem telas uma hora antes, um ritual de relaxamento.
Não resolveu da noite pro dia. Mas ter um plano fez diferença. Ele deu a ela uma técnica de relaxamento progressivo pra fazer na cama, e orientou a não lutar contra o sono — se não dormisse em vinte minutos, levantava e lia algo chato até cansar. Com o tempo, o sono voltou. E o que parecia um problema médico era, na verdade, emocional mal endereçado.