Ela queria que a ansiedade fosse embora. Passava as sessões inteiras descrevendo os sintomas, esperando que o Carlos tivesse um botão de desligar. Mas ele nunca apertava. Ela reclamava: "Carlos, não aguento mais essa ansiedade." E ele ouvia, acolhia, mas não resolvia. Até que um dia ela perguntou: "Você não tem nenhuma ferramenta pra me dar?"
Ele riu. "Tenho várias. Mas você nunca pediu." Ensinou a técnica dos cinco sentidos, o grounding, o exercício de preocupação programada. Ela saiu da sessão com um kit de emergência emocional. Cada ferramenta era um recurso pra usar antes de a ansiedade tomar conta. Usou no ônibus, no trabalho, no meio da madrugada.
O que ela aprendeu foi que a terapia não é um lugar onde a ansiedade some — é onde você aprende o que fazer com ela. Mas as ferramentas precisam ser pedidas, porque cada pessoa responde a uma diferente.