Luísa achou estranho quando a psicóloga falou em "dever de casa". Ela pensou que terapia era só conversar uma vez por semana. Mas a psicóloga explicou que a mudança acontece nos pequenos hábitos do dia a dia.
— O que a gente conversa aqui tem que sair do consultório com você.
A primeira tarefa foi simples: anotar três coisas boas que aconteceram a cada dia. Luísa achou bobo, mas fez. Na primeira noite, escreveu: "tomei café quente", "recebi mensagem de uma amiga", "o sol estava bonito". Coisas pequenas.
Na sessão seguinte, a psicóloga pediu que ela lesse a lista. Luísa percebeu que prestar atenção nas coisas boas mudava o foco do cérebro, que estava acostumado a só enxergar o negativo.
— Chama-se gratidão ativa. É um exercício de reconfiguração mental.
Outra tarefa foi colocar limites no trabalho: dizer "não" pelo menos uma vez na semana. Luísa treinou na frente do espelho: "Não posso assumir essa demanda agora." Na primeira vez que disse, achou que o chão ia se abrir. Mas nada aconteceu. A chefe apenas respondeu "tudo bem, depois a gente vê".
As tarefas pareciam pequenas, mas o acúmulo delas fazia diferença. Luísa entendeu que a terapia não era só o que acontecia na sessão, mas o que ela levava dali para a vida.