Ela mandava mensagem pro Carlos entre as sessões. Muitas. Sobre tudo: uma crise, uma dúvida, uma lembrança que tinha surgido. E quando ele demorava pra responder — ou não respondia — ela ficava mal. Achava que ele não se importava, que ela estava sendo ignorada, que o trabalho da terapia se perdia entre uma sessão e outra.
Até que numa sessão ele perguntou: "Luísa, você já reparou como você usa o WhatsApp comigo?" Ela explicou que se sentia segura mandando mensagem, mas ansiosa com a resposta. Ele explicou o combinado dele: mensagens eventuais são bem-vindas, mas ele responde apenas em horário comercial e sem compromisso de imediaticidade. Em caso de urgência, o melhor é ligar ou procurar um serviço de emergência.
No começo ela achou ruim. Parecia que ele estava se afastando. Mas com o tempo entendeu: o contato entre sessões não substitui a sessão. É um complemento. E a resposta que importa mesmo é a que vem no encontro presencial. Aprendeu a escrever menos e guardar mais, sabendo que o que sentia podia esperar até a próxima quinta.