Como falar sobre tolerância a atraso na terapia?

Luísa

Ela era a pessoa que chegava atrasada em todas as sessões. Cinco, dez, quinze minutos. Chegava bufando, pedia desculpas, e gastava os primeiros minutos da terapia se recuperando do fôlego em vez de aproveitar o tempo. Nunca perguntou pro Carlos qual era a política de atraso dele. Simplesmente assumia que ele esperava, que o tempo era elástico.

Até que um dia ele mencionou, numa conversa sobre limites: "Luísa, você já reparou que quando você chega atrasada, a gente perde uns bons minutos do seu tempo?" Ela ficou na defensiva: "Mas você sempre me atende, mesmo atrasada." Ele concordou, mas completou: "Sim, mas são minutos que poderiam ser seus. E eu encerro no horário, então você acaba tendo uma sessão mais curta."

Aquilo caiu como uma luva. Ela nunca tinha pensado que o prejuízo era dela. Perguntou qual era a tolerância dele: quinze minutos de cortesia, depois a sessão era cancelada e cobrada. Saber disso ajudou ela a se organizar melhor. Aprendeu que atraso crônico também é um padrão que merece atenção — e que era mais um tema pra terapia, não uma mania sem importância.