Ela simplesmente não foi. A sessão era às dez da manhã, e às nove e meia ela estava deitada na cama, com o celular na mão, olhando o WhatsApp do Carlos e não conseguindo responder. Deixou o horário passar. Depois mandou uma mensagem genérica: "Carlos, não consegui ir hoje, mil desculpas." Ele respondeu perguntando se estava tudo bem. Ela disse que sim. Mentira.
Na sessão seguinte, o assunto veio. Ele perguntou: "O que aconteceu na semana passada?" Ela enrolou: "Ah, estava cansada, acabei dormindo." Ele olhou pra ela com calma e disse: "Luísa, a falta diz alguma coisa. O que você estava evitando?" E aí veio: ela não queria ir porque estava num dia difícil e tinha medo de desabar na sessão. Faltou por medo de sentir.
Ela entendeu que faltar na terapia sem avisar não é só desorganização — é um sinal. O Carlos explicou que a falta merece ser conversada, não escondida. Combinaram que se ela faltasse sem aviso, eles conversavam sobre o motivo na sessão seguinte, sem julgamento. Isso transformou a falta — de um erro a ser escondido em um sintoma a ser compreendido.