Ela cancelou a primeira sessão por WhatsApp, com uma desculpa esfarrapada de "reunião de última hora", e passou o resto do dia com o coração apertado de culpa. Na cabeça dela, cancelar era uma ofensa pessoal ao Carlos. Ela imaginava ele esperando no consultório vazio, julgando ela por não ter priorizado a terapia. No mês seguinte, cancelou de novo — porque estava mal justamente por ter cancelado a anterior, e não queria enfrentar a conversa.
Até que o próprio Carlos trouxe o assunto. "Luísa, percebi que você cancelou duas vezes seguidas e não remarcou. Quer conversar sobre isso?" Ela confessou: "Tenho vergonha de cancelar. Sinto que estou te desrespeitando." Ele riu com gentileza. "Cancelar faz parte. A vida acontece. A questão não é cancelar, é como você comunica."
Ele explicou a política de cancelamento dele: avisar com pelo menos 24 horas de antecedência, sem custo. Menos que isso, a sessão era cobrada. Saber disso deu segurança a ela. Não era pessoal — era profissional. Ela passou a avisar com clareza: "Carlos, preciso cancelar a sessão de amanhã. Pode ser?" E ele respondia "Claro, remarcamos depois." Simples. Sem culpa.