Ela chegou no consultório do Carlos sem perguntar como ele recebia. No final da primeira sessão, ele disse o valor e ela ficou parada, sem saber se passava o cartão, se fazia Pix, se dava dinheiro vivo. Perguntou constrangida e ele respondeu com naturalidade: \"Aceito as três formas, como preferir.\" Ela foi de Pix, mas ficou o mês inteiro sem saber quando e como pagar. Deixava pra perguntar no fim de cada sessão e sempre era aquele momento de desconforto.
Com o tempo, ela aprendeu que isso é uma conversa que dá pra ter no primeiro contato. Não precisa esperar a sessão acabar. \"Carlos, como funciona o pagamento? Pix, cartão, boleto? Tem que ser no dia ou pode depois?\" Ele disse que prefere no dia, mas que entende atrasos se avisados. Ter essa clareza tirou um peso enorme — porque o dinheiro já era um desafio, pelo menos o processo precisava ser simples.
Depois que eles acertaram uma rotina (Pix todo dia 10 de cada mês, independente do número de sessões), ela parou de pensar nisso. A forma de pagamento virou um detalhe operacional, não uma fonte de ansiedade.
Combinar a forma de pagamento antes de começar não é mercantilizar a terapia. É criar uma relação profissional clara. E clareza é sinônimo de respeito.