Luísa sabia que precisava de terapia, mas também sabia que seu orçamento não ia comportar o valor cheio das sessões. Passou semanas adiando o primeiro contato com o Carlos porque não sabia como perguntar sobre desconto social. Na cabeça dela, pedir redução de valor significava admitir que não era bem-sucedida, que não merecia o mesmo tratamento que os outros pacientes.
Quando finalmente criou coragem, foi num e-mail seco: "Carlos, gostaria de saber se você oferece desconto social." Ele respondeu no mesmo dia, marcando uma conversa. Na sessão, explicou que tinha vagas sociais justamente porque acreditava que saúde mental não deveria ser privilégio. Pediu alguns documentos simples de comprovação de renda e fecharam um valor que cabia no bolso dela.
Ela passou meses se sentindo desconfortável, achando que estava recebendo um favor. Até que um dia o Carlos disse: "Luísa, você não está me devendo nada. O desconto social existe pra isso. O importante é que você está aqui." E foi libertador. Porque a qualidade do tratamento não mudou. Ela continuou sendo a mesma paciente, com o mesmo compromisso e o mesmo cuidado.