Ela abria o Instagram sem pensar. Era um reflexo: mão no bolso, celular na mão, polegar deslizando. Ela podia estar no meio de uma conversa, no cinema, no banheiro — o movimento era automático. Quando o Carlos perguntou o que ela buscava nas redes, ela disse "conexão". Mas a verdade é que ela não buscava nada. Só consumia. Um vídeo, uma foto, um story, outro, outro, até a cabeça dela estar cheia de informação inútil e vazia de sentido.
Falar sobre isso na terapia parecia fútil. "Carlos, tem tanta coisa mais importante pra tratar, e eu vou falar de Instagram?" Ele não deixou passar. "Se ocupa tanto tempo e te causa tanta angústia, é importante, sim." Ele ajudou ela a perceber que o scroll infinito era um mecanismo de fuga. Ela não estava nas redes por prazer — estava para evitar sentir o que doía.
O trabalho foi doloroso. Aprender a ficar sem o celular por períodos, enfrentar a ansiedade de não saber o que estava acontecendo, redescobrir o tédio. Mas depois que conseguiu falar abertamente sobre a dependência, o problema perdeu o poder. Hoje ela tem redes sociais com limite. Não é mais controlada pelo feed.